Em 1932, Winston Churchill era considerado por muitos um político ultrapassado. Havia perdido prestígio, acumulado derrotas e estava afastado das grandes decisões do governo britânico. Seus adversários acreditavam que sua carreira estava praticamente encerrada. Churchill alertava para o crescimento do poder militar da Alemanha nazista. Mas suas advertências eram frequentemente ignoradas. Durante anos, Churchill permaneceu politicamente isolado, sem o apoio necessário para governar.

Em 1938, quando o primeiro-ministro Neville Chamberlain assinou o Acordo de Munique com Hitler, Churchill foi uma das vozes mais críticas daquela decisão. Novamente, foi tratado como pessimista e inconveniente. Mas a História ainda não havia terminado. Em setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia. A Segunda Guerra Mundial começou. E os alertas de Churchill passaram a ser vistos de outra maneira.

Em maio de 1940, com a Europa mergulhada na guerra e a Grã-Bretanha diante de uma ameaça existencial, aquele político considerado ultrapassado tornou-se primeiro-ministro. O homem que muitos haviam descartado passou a liderar a resistência britânica. E cinco anos depois, em 1945, a Alemanha nazista foi derrotada. Churchill tinha ingressado na História.

Churchill venceu porque suas derrotas anteriores não determinaram o restante de sua trajetória. E olhem que detalhe interessante: poucos meses depois da vitória na guerra, Churchill perdeu as eleições britânicas. O homem que havia ajudado a salvar seu país na guerra foi derrotado nas urnas. Poderia ter encerrado sua carreira naquele momento. Mas continuou participando da política, defendendo suas ideias e respeitando o resultado eleitoral. Em 1951, aos 76 anos, voltou a ser primeiro-ministro.

Essa história mostra algo importante para qualquer brasileiro que esteja decepcionado com o resultado das últimas eleições. Uma derrota eleitoral não significa o desaparecimento de uma ideia. Não significa que tenhamos de nos dar por vencidos, mesmo que seja difícil lutar contra “o sistema”.

Quem votou em Flávio Bolsonaro pode estar frustrado. Podemos e devemos discordar profundamente do governo Lula. Podemos continuar a acreditar que o Brasil deveria seguir outro caminho. Mas a democracia oferece instrumentos para continuar defendendo essas convicções: o debate público, a fiscalização do governo, a participação política, as próximas eleições e, sobretudo, NUNCA DESISTIR DE CONTINUAR TRABALHANDO POR UM BRASIL MELHOR.

Churchill voltou ao poder porque continuou defendendo suas ideias apesar das derrotas. Como oposição, não precisamos desejar que o país fracasse para demonstrar que nossas propostas são melhores. Precisamos apresentar alternativas, conquistar confiança e estarmos preparados para assumir responsabilidades quando a sociedade decidir que somos a melhor opção.

A história de Churchill demonstra que derrotas não precisam ser definitivas. O Brasil continuará existindo depois deste governo. E seu futuro será construído por brasileiros como você e eu, que pensam, inclusive, de maneiras diferentes.

"A derrota de hoje não precisa ser a derrota de amanhã. Porque o futuro não pertence necessariamente a quem venceu a última eleição. Pertence a uma sociedade que nunca desiste e que preserva a liberdade de escolher, de discordar e de continuar construindo sua própria História. Acredite: ainda dá tempo."