Há mais de dois mil anos, depois da morte e ressurreição de Jesus, seus discípulos enfrentaram um dilema existencial: E agora?
Antes mesmo de serem chamados de “cristãos” — denominação que surgiria posteriormente em Antioquia (que eram cidades importantes do Império Romano, hoje na Turquia) —, os seguidores de Jesus eram conhecidos como seguidores do “Caminho”. Uma referência que dialoga diretamente com as palavras atribuídas a Jesus no Evangelho de João: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.”
Em Jerusalém começava a surgir aquela que seria a primeira grande comunidade cristã. Uma comunidade liderada pelos apóstolos, com destaque para Pedro e João e, posteriormente, Tiago (conhecido como Tiago, o Justo). Não imagine uma igreja como conhecemos hoje. Não havia catedral. Não havia grandes estruturas. Eram residências adaptadas, locais de encontro, oração e acolhimento, numa organização inspirada também na experiência do Cenáculo (a sala no andar superior onde ocorreu a Última Ceia de Jesus com seus discípulos).
A missão não era apenas religiosa. Era também social. Ali eram atendidos necessitados, viúvas, órfãos e doentes. Os Atos dos Apóstolos relatam que os membros da comunidade compartilhavam seus bens para que ninguém passasse necessidade. Reuniam-se para a oração, para ouvir os ensinamentos dos apóstolos e para a fração do pão — uma das origens da celebração eucarística cristã.
A assistência tornou-se tão importante que surgiu a necessidade de organização. Foram escolhidos os primeiros diáconos. Entre eles, Estêvão e Filipe, para cuidar especialmente dessas necessidades, permitindo que os apóstolos continuassem dedicados à pregação.
A chamada "Casa do Caminho" simboliza, portanto, a transformação de uma mensagem em ação. Alguém tomou a iniciativa. E é aqui que entramos nós, eleitores.
Porque reclamamos da corrupção. Reclamamos da gastança pública. Reclamamos da irresponsabilidade fiscal. Reclamamos da violência e do crescimento das organizações criminosas. Mas a pergunta é: o que estamos fazendo para mudar aquilo de que reclamamos? Indignação sem participação é apenas barulho.
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Se queremos combater a corrupção, precisamos condená-la, independentemente de quem a pratique.
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Se queremos equilíbrio fiscal, precisamos compreender que o dinheiro público sai do bolso do trabalhador, do empresário e do produtor. Não de políticos.
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Se queremos enfrentar narcotraficantes e organizações criminosas que dominam territórios, precisamos de inteligência, integração policial, controle de fronteiras, investigação financeira e leis capazes de atingir principalmente o comando e o patrimônio do crime organizado.
Vamos avaliar a conexão com aquela primeira comunidade cristã. Ela ajudava quem precisava. O Brasil também precisa fazer isso. Nenhuma sociedade civilizada abandona os vulneráveis. Mas ajudar não significa condenar alguém à dependência permanente. O auxílio precisa caminhar junto com contrapartidas e oportunidades: frequência escolar dos filhos, qualificação profissional, BUSCA DE EMPREGO, capacitação e empreendedorismo.
O objetivo não pode ser apenas administrar a pobreza. Precisa ser superá-la.
A Casa do Caminho nos deixou uma lição há quase dois mil anos. Não basta acreditar. É preciso agir. Não basta reclamar. Não basta esperar que alguém faça alguma coisa. Alguém precisa começar.
Precisamos fiscalizar. Cobrar. Escolher melhor nossos representantes. Defender nossas ideias. E parar de terceirizar o futuro do Brasil. A Casa do Caminho marcou a passagem da mensagem de Jesus para uma experiência comunitária concreta e ajudou a criar um modelo que posteriormente se espalharia pelo Império Romano. Tudo porque algumas pessoas decidiram começar.
A pergunta que precisamos nos fazer hoje não é: "Quem vai mudar este país?" E sim: "Qual parte dessa mudança começa comigo?"
"Há dois mil anos, homens transformaram fé em ação e começaram a construir um Caminho. O Brasil também precisa de menos gente esperando que alguém indique o caminho, e mais brasileiros dispostos a começar a construí-lo."