Ontem, li uma frase que me fez refletir sobre a realidade do nosso amado Brasil: “Ou você aumenta seu esforço, ou você diminui seus sonhos.”

Parece uma frase motivacional, mas, na realidade, é uma extraordinária definição de responsabilidade. Porque todos temos sonhos. Uma casa. Uma boa educação para nossos filhos. Segurança para nossas famílias. Um emprego melhor. Uma empresa crescendo. Uma aposentadoria digna. Um Brasil mais próspero.

O problema é que existe uma segunda frase que complementa a anterior: “A distância entre nossas expectativas e a realidade chama-se frustração.”

Hoje, o brasileiro experimenta a sensação de muita frustração justamente porque a distância entre aquilo que sonhamos e aquilo que encontramos na realidade continua grande demais. O trabalhador se esforça e quer perceber esse esforço dentro de casa. Quer trabalhar mais e conseguir comprar mais, e não apenas pagar mais impostos. O pequeno empresário arrisca seu patrimônio e espera crescer, contratar, prosperar. O agricultor planta esperando colher. Os pais fazem sacrifícios esperando que seus filhos tenham uma educação melhor do que tiveram. Isso não é ganância. É progresso.

O problema começa quando o cidadão aumenta seu esforço, mas o país não acompanha. Pelo contrário. O governo é um sugador de energia e esforço — não para melhorar a vida das pessoas, mas para que os governantes tenham um luxo que a sua competência jamais lhes permitiria ter na iniciativa privada. A distância, então, entre expectativa e realidade aumenta. E aparece a frustração.

Mas existe uma terceira possibilidade. Em vez de diminuir nossos sonhos, podemos aumentar também nossa participação. Participar do processo eleitoral não significa apenas aparecer diante da urna no dia da votação. Significa:

  • Conhecer candidatos;

  • Comparar propostas;

  • Perguntar e questionar;

  • Participar de reuniões;

  • Conversar com amigos;

  • Fiscalizar informações;

  • Defender ideias com argumentos;

  • E, depois da eleição, cobrar.

Porque existe uma incoerência em reclamar da política durante quatro anos e dedicar apenas alguns minutos para escolher quem fará política em nosso nome. Se você trabalha dez horas por dia para construir seu futuro, talvez valha a pena dedicar algumas horas para descobrir quem administrará parte do dinheiro que o seu trabalho produz. Se você se preocupa com a educação dos seus filhos, descubra quais candidatos enviariam os próprios filhos para a escola pública. Não terceirize aquilo que influencia diretamente a sua vida.

Agora: não espere encontrar um candidato perfeito. Ele provavelmente não existe. Procure aquele que mais se aproxima do país que você deseja construir. E participe. Porque a democracia não é um espetáculo no qual alguns políticos sobem ao palco enquanto milhões assistem da arquibancada. Democracia é participação.

Talvez nunca consigamos eliminar completamente a distância entre expectativa e realidade, mas podemos diminuí-la. Trabalhando. Produzindo. Estudando. Empreendendo. Participando. Escolhendo. Fiscalizando. E cobrando.

Eu não quero diminuir meus sonhos para que eles caibam na realidade brasileira. Quero ajudar a mudar a realidade brasileira para que ela se aproxime dos nossos sonhos. E gostaria que milhões de brasileiros fizessem o mesmo. Porque o país que queremos não será entregue pronto por nenhum presidente. Será resultado do esforço de uma sociedade inteira.

"Ou diminuímos nossos sonhos para caber no Brasil que temos, ou aumentamos nosso esforço para construir o Brasil que queremos. Entre o sonho e a frustração existem duas palavras capazes de mudar um país: participação e compromisso."