Ontem, começou oficialmente a campanha eleitoral de 2026. A partir de agora, milhares de candidatos estarão nas ruas, nas redes sociais, nos debates e nas entrevistas, tentando conquistar uma das coisas mais valiosas que um cidadão possui numa democracia: o seu voto.
Até esta eleição, tenho quase certeza de que pensávamos de forma muito parecida: "Todos os políticos são corruptos. Eles querem ganhar com o nosso voto e depois só focam no interesse deles".
O que mudou para mim nestas eleições é que conheço — e conheço bem — vários candidatos. São muitos brasileiros que, pelas mais diferentes razões, decidiram colocar seus nomes à disposição da sociedade. Muitos deixaram temporariamente empresas, profissões, escritórios, participações na nossa Revista Oeste e em emissoras colegas, além de outras atividades, para entrar na vida pública com uma missão que, pelo menos em princípio, deveria ser uma só: servir. Porque política deveria ser serviço, e não projeto pessoal de poder.
Mas existe o outro lado da urna: o eleitor.
No dia 4 de outubro, mais de 158 milhões de brasileiros estarão aptos a participar das eleições de 2026. E precisamos entender o tamanho dessa responsabilidade. Não devemos escolher o candidato mais simpático. Ou quem faz o melhor vídeo. Nem quem dança ou canta melhor. Estamos contratando pessoas para administrar o nosso dinheiro, elaborar nossas leis e tomar decisões que poderão afetar nossas famílias durante décadas.
Por isso, precisamos olhar:
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As propostas;
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O histórico;
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A competência;
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A coerência;
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Os SEUS VALORES.
E, principalmente, perguntar-se: aquilo que esse candidato promete é possível de ser cumprido?
O Brasil deveria discutir seriamente uma espécie de "Lei de Responsabilidade Eleitoral". Hoje, uma promessa política descumprida não tem nenhuma punição. Deveríamos avançar nessa discussão. Se um candidato apresenta determinada proposta para conquistar votos e, depois de eleito, não a cumpre, deveria existir algum mecanismo mais forte de responsabilização política. Porque propaganda enganosa é penalizada na venda de um produto. Por que promessas deliberadamente enganosas passam batidas? Impossível não lembrar da promessa de “terminar com o sigilo da coisa pública”.
Mas existe ainda outro problema que precisamos resolver nestas eleições: o de NÃO PARTICIPAR.
Na eleição presidencial de 2022, Lula recebeu 2.139.645 votos a mais do que Bolsonaro. Enquanto isso, mais de 32 milhões de eleitores se abstiveram no segundo turno. Houve ainda cerca de 3,9 milhões de votos nulos e 1,77 milhão de votos em branco. Isso deveria nos fazer pensar.
Não votar ou votar em branco é como entrar num restaurante, sentar-se à mesa e dizer: "Pode trazer o prato que desejar". Depois não adianta reclamar:
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Que trouxeram carne, se você é vegetariano;
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Ou que a conta ficou muito cara;
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Que colocaram açúcar, se você é diabético;
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Ou que escolheram justamente aquilo de que você não gosta de comer.
Você entregou sua escolha aos outros. A democracia funciona da mesma maneira. Quem participa ajuda a escolher. Quem não participa aceita que os outros escolham por ele.
Nas próximas semanas, não seja apenas um espectador. Pesquise. Compare propostas. Questione. Vá a reuniões. Olhe nos olhos dos candidatos. E escolha conscientemente quem deverá representá-lo. A eleição não termina quando colocamos o voto na urna. É justamente ali que começa a nossa responsabilidade de cobrar.
No dia 4 de outubro, não entregue a terceiros o direito de escolher o Brasil em que você terá de viver.
"Democracia não é assistir aos outros decidirem o futuro. Democracia é participar da decisão e, depois, ter coragem de cobrar aquilo que foi prometido."