Neste 9 de setembro, comemora-se o Dia do Administrador. E eu falo dessa profissão com um carinho especial, porque sou administrador.
Aprendi que administrar não significa simplesmente cuidar de uma empresa, fazer orçamentos ou criar, organizar e acompanhar um fluxo de caixa. Administrar é muito mais. É olhar para um problema e perguntar: qual é a causa, quem é o responsável pelo processo, qual é a solução e o que faremos para que o problema não volte a acontecer?
Aqui está, justamente, uma das maiores carências do Brasil. Nosso país precisa, urgentemente, ser administrado. E não estou falando apenas de dinheiro. Precisamos administrar uma enorme crise fiscal, política, jurídica, ética e moral.
Olhem ao redor:
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Tivemos o escândalo dos descontos indevidos do INSS, atingindo justamente aposentados e pensionistas.
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Temos investigações e questionamentos envolvendo pessoas próximas ao poder, inclusive episódios relacionados a Lulinha, que precisam ser esclarecidos com provas e o devido processo legal.
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Temos o caso Banco Master, com bilhões de reais envolvidos, mensagens, contratos milionários, autoridades citadas e uma crise que chegou ao coração das instituições.
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Temos um déficit fiscal crônico, uma dívida crescente e um Estado que, frequentemente, parece acreditar que, quando falta dinheiro, basta encontrar alguém para pagar mais impostos.
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Temos um STF mergulhado em questionamentos sobre limites, competências e conflitos institucionais.
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Temos um Senado, presidido por Davi Alcolumbre, e uma Câmara, presidida por Hugo Motta, diante de uma responsabilidade gigantesca, mas que pouco estão fazendo para resolver a crise. Apenas protelam para tentar se manter no poder.
O Congresso não existe para assistir à crise. Existe para ajudar a resolvê-la. E, no meio disso tudo, temos narrativas. Narrativa para explicar déficit. Narrativa para explicar escândalo de parentes. Narrativa para evitar investigação. Narrativa para explicar aquilo que não deu certo.
Só que existe uma regra elementar da administração: narrativa não aparece no balanço. Resultado, sim.
Se uma empresa estivesse endividada, gastando sistematicamente mais do que arrecada, com conflitos entre seus diretores, suspeitas envolvendo sua governança e clientes perdendo a confiança, nenhum administrador sério convocaria uma reunião para discutir como melhorar a narrativa. Ele teria de começar resolvendo os problemas.
É disso que o Brasil precisa: planejamento, prioridades, metas, responsabilidade, transparência e consequência para quem erra.
Mas existe uma diferença fundamental: uma empresa tem presidente e conselho; uma República tem cidadãos. E, em 2026, nós teremos novamente a oportunidade de escolher quem administrará uma parte importante deste país e quem fiscalizará essa administração. Não podemos escolher apenas pela emoção, pelo vídeo bonito ou pela guerra das redes sociais. Precisamos perguntar aos candidatos:
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Qual é o seu plano?
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Como vai equilibrar as contas?
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Como pretende recuperar a segurança jurídica?
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Como enfrentará a corrupção?
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Como defenderá a independência e os limites entre os Poderes?
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E, sobretudo: que Brasil pretende entregar daqui a quatro anos?
Administrar é decidir. Administrar é assumir riscos. Administrar é prestar contas. E administrar também significa corrigir a rota quando ela está errada. Eu sou administrador. E aprendi, durante minha vida profissional, que problema ignorado não desaparece. Problema adiado fica mais caro.
O Brasil tem problemas enormes. Mas também possui recursos, instituições, empresários, trabalhadores e milhões de brasileiros capazes de reconstruir a confiança e colocar o país novamente no caminho certo. Não precisamos perder a esperança. Precisamos trocar a resignação pela participação.
"Um bom administrador não recebe a realidade que gostaria de ter; recebe a realidade que existe e trabalha para transformá-la. O Brasil tem problemas demais para continuar sendo administrado por narrativas. Está na hora de administrá-lo com coragem, competência e responsabilidade, porque o patrimônio mais importante que temos para administrar é o país que deixaremos aos nossos filhos e netos. E pode ter certeza: AINDA DÁ TEMPO."